Well Well Well
Estagio está chegando ao fim só faltam mais dois plantões, e me sinto bem pelo tanto de coisa que aprendi, tanto em relação a procedimentos, quanto a abordagem com o paciente,o apoio que a enfermagem necessita dar a ele,o contato direto com o seu sofrimento, o convivio com enfermeiros e médicos, a troca de conhecimentos e experiências, a vivencia de novas situações e coisas que eu nunca imaginei ver. E claro vale lembrar os momentos de descontração, tensão, estresse, orgulho, medo, felicidade e outros.
Um dia memorável, foi quando peguei meu primeiro acesso venoso, foi uma paciente da oncologia, quando eu ainda estava na ala 8 , mesmo sabendo o procedimento imaginei mil coisas na hora de 'pegar' a veia dela, como por exemplo,achar que o sangue dela iria esguichar no meu olho e eu pegar alguma doença, mesmo sabendo que sangue venoso não é em jato, apenas o arterial e que o diagnostico da paciente só indicava neoplasia,ou entao pensar que o jelco iria 'mergulhar' na veia dela, coisa impossivel de acontecer, nem se eu quisesse iria conseguir a proeza! Foi linda a hora que garroteei o braço dela e consegui puncionar e introduzir o jelco naquela veia seca de tanto quimioterapia, tipico de pacientes da onco, fiz todo o procedimento corretamente e depois identifiquei o acesso com meu nome, e escutava por todo canto ' Gente, a Margô pegou um acesso, pegou um acesso' hahaha igual criança mesmo.
Depois desse acesso, demorou pra eu pegar outro, peguei dois semana passada,ja na ala 5,onde são pacientes pré e pós operatorios, o primeiro foi tranquilo, paciente com veia boa, rapidinho eu consegui,já o segundo em uma paciente debilitada porém muito agitada, gastei ciiiiiiinco, ciiiiinco jelcos para puncionar UMAAA veia, em duas tentativas só faltava conectar o equipo,dai a paciente puxa o braço e adeus AVP, os outros dois foram veias que pareciam cheias mas estavam secas, e o outro foi o que meu supervisor conseguiu fazer, tava todo mundo tenso já por causa da situação, e ainda sou obrigada a ouvir da filha da paciente dizer o seguinte ' Por que colocam um estágiario pra fazer isso?' . Esse povo pensa que estagiarios são burros, mas tudo bem eles não sabem que não fazemos procedimentos sem estar preparados, deu vontade de dar uma nela, mas meu supervisor e minha ética estavam presentes =p.
Um momento tenso foi quando precisei fazer um clister em uma paciente que estava com fecaloma grave e já apresentava abdomen globoso, a mulher era muito magra quem olhasse pra barriga dela falava que ela tava grávida de 12 meses. Na hora que falaram sobre o procedimento eu me candidatei toda empolgada, mas na hora de realizar o procedimento fiquei tensa e pensei ' Ai Deus nunca vi nem tive contato com essas partes de ninguem, e agora?' , até ai tudo bem, segui com o procedimento, introduzi a sonda na paciente e na hora de mandar o soro pra dentro quem disse que ele passava? Com muito custo meu supervisor conseguiu apertar o frasco de soro , afinal eu já nao tinha mais força pra pressionar o frasco , nessa altura a paciente ja estava tendo uma hemorragia e travando de tanta dor. Mas no final das contas deu tudo certo, porém uns dias depois a paciente foi a óbito. É de esperar , mas é estranho você cuidar de alguém e simplesmente essa pessoa morrer, dá quase uma sensação de traição, ao menos pra mim.
Outro momento tenso foi quando fui fazer um curativo em ferida necrotica de grau III, ja era de se esperar o odor né, por causa das bactérias anaerobicas a ferida fica com aquele odor adocicado, podre, insuportavel, e novamente eu pensei ' Ai Deus me da força, eu num vou aguentar nao, vou correr' ,certas coisas parecem simples, mas quando você meche, vê que se enganou. O pior era o fato de a ferida ser em região sacral e por ser de grau III eu via o osso do paciente, mas essa não foi nada diante a sensação que eu senti quando fiz um curativo tambem no pé de outro paciente. Fui na inocencia de que o curativo seria super tranquilo porque o paciente estava com o pé enfaixado, logo achei que fosse alguma cirurgia ortopedica recente e a ferida estava limpa e seca, aaaah! quando eu tirei a faixa não sei por quais motivos não cai pra trás. Ele possivelmente diabetico estava com o dedo do pé necrosado COMPLETAMENTE, logo eu passei pela mesma situação ja citada acima, era um dedo cadaver, na hora eu fiquei tonta não por estar de cara com um dedo cadaver e sim pelo cheiro, minha cabeça rodou, meu olho encheu de lagrimas, arrepiei só de um lado do corpo, e minha barriga começou a pular devido aos impulsos de um possivel vômito. Fiquei imaginando se eu vomitasse ali, o que aconteceria, e esse procedimento que deve ter gasto uns 5 minutos mais ou menos pareceu ter durado horas.Foi teeeenso, estou começando mudar meu conceito de tenso depois dessa.
Já as situações de estresse são sempre as mesmas, é gente folgada querendo abusar por voce ser estagiario, é ficar frustrada quando não tem nada pra fazer, é carregar paciente com o dobro do seu peso em maca sozinha, é estar morrendo de cansaço louca pra ir embora e ainda estar faltando horas, ter que ser paciente com colegas ,principalmente quando se sabe que esse colega é falso, fala mal de voce , é papo ruim, voce o evita e ele insiste em ir atras fingindo ser o bom cordeiro, é a cara da supervisora quando cheguei atrasada, o trabalho de pediatria desnecessário que o supervisor passou, o ócio na pediatria, a maionese estragada do restaurante que atende mal e é tudo caro, as bombas de infusão apitando sem parar o tempo todo, elas apitam tanto que até quando elas não estam apitando eu escuto apitarem ou na hora do almoço quando estou no pátio elas me perseguem sonoramente,algum colega em um momento de egosimo ' roubar' o procedimento que eu tanto cobiçava e ja era meu. Acho que é só isso.
Outro fato memorável foi quando fiquei no bloco cirúrgico em 3 ou 4 plantões não me lembro bem. As cirurgias que assisti , as crianças bonitinhas que conheci, o tanto que eu passei mal de rir com a Fabiola e as besteiras que a gente falava e os videos que gravamos.
Três cirurgias inesquecíveis foram uma nefrectomia e uma prostatectomia por video , eu vi um rim, eu vi nefrons, eu vi ureter, eu vi uma prostata, vi corpos cavernosos e esponojosos e eles parecem algodão, e a outra cirurgia foi de uma paciente que fez histerectomia total e teve complicações precisando operar novamente e como eu sempre
quis, eu vi uma pessoa com a região torácica e epigástrica abertas, quando eu vi achei lindo, mas falei com minha colega que nem parece que temos aquilo tudo dentro da gente , somos bonitos é por fora mesmo, porque por dentro todo mundo 'assusta' quando olha.
Outros momentos que eu quero relatar foram os da pediatria, passei 2 plantões lá. Não tinha muito o que se fazer e na minha opnião não seria bom arriscar, a pediatria requer um conhecimento especifico, um treino maior e cuidado também, é completamente diferente do que estamos acostumados a lidar em relação a clinica médica geral, as medidas de medicamentos são outras (óbvio né), os aparelhos, valores, a assistência são diferentes e sem contar o desespero das mães quando vamos mecher com os filhos delas. Tem um bebê que tem uma patologia que me chamou atenção, o termo técnico eu não me lembro agora, mas ela nasceu com o cérebro pra fora, creio que seja por uma má formação craniana e pelo fato de a mãe ter 15 anos, quando as mães são muito novas ou estão além da idade apropriada para engravidar os filhos nascem com má formação e síndromes , no caso porque os óvulos ainda não estão maduros o suficiente e a estrutura física da mãe não é adequada ainda para carregar um bebe e no outro caso porque os óvulos já envelheceram. Voltando ao assunto do bebê, ela está incubada e o cerebro fica coberto com um pano úmido para não ressecar, e está aguardando vaga no CTI neonatal para fazer a cirurgia, é uma cirurgia de risco, mecheu com crânio seja adulto ou criança é arriscado,e sendo bebe mais ainda, e mesmo tudo ocorrendo bem essa criança provavelmente terá lesões cerebrais graves.Sem contar nas crianças com neoplasia, hidrocefalia, leucemia, disfunção renal e etc. Enquanto estive por lá apenas brinquei com as crianças na sala de brincar, o que deve ser considerado um item da assistencia segundo meu supervisor, e também conheci uma voluntária da alemanha que se chama Katharina, bati papo com ela e aprendi algumas palavras em alemão mas só lembro de duas hahaha. Não foi graaaande coisa ficar na pediatria em relação a procedimentos mas em relação a outras coisas, até que valeu.
Um dia fomos conhecer o setor de hemodiálise, é um setor praticamente restrito assim como CTI,foi explicado como funciona o sistema da máquina que faz a diálise , é complexo demais, e exige todos os cuidados possíveis, nunca vi tanto sangue em uma mangueira na vida.
Dois casos que quase foram comoventes para mim , primeiro foi de um paciente que cuidei por duas semanas , ele tem 30 anos e sofreu acidente de moto, teve lesões cerebrais serias, ficou com paralisia parcial, disfasia, estava com um edema enorme na região pariental do crânio, o outro de 20 anos sofreu acidente de carro e creio que está paraplegico. Todos os pacientes tem suas historias que podem comover, mas esses dois me chamou atenção.
Em geral o estagio foi bacana, não tive dificuldade com nada e fiz tudo da melhor forma possivel, demonstrei interesse e cumpri minhas responsabilidades,assisti a vários procedimentos, conheci gente chata, gente legal, pacientes hilários, acho que depois de tudo que passei não tenho mais nojo de nada hahaha, estou orgulhosa do que fiz nesse período de aprendizagem .
No mais por enquanto é isso ! :)
